Criança peruana de 7 anos é abusada e fotografada nua em Cuiabá, diz PM

Do G1 MT

A Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica) declarou que foi informada do caso e vai investigar o suposto rapto e abuso dessa criança. De acordo com a Polícia Militar, a família mora no Bairro Parque Atalaia. A mãe da criança disse que estava indo para a igreja com a filha e pediu que a menina fosse na frente e buscasse uma bicicleta na casa da tia dela.

Enquanto a mãe fechava a casa, a criança foi sozinha para a casa da tia. A mãe relatou aos policiais que foi para a igreja e não encontrou a filha no local. A menina só foi encontrada uma hora depois, no mesmo bairro. Conforme a PM, a criança relatou à família que estava a caminho da casa da tia quando um homem, em um carro, a abordou.

A criança afirmou para a mãe que foi colocada à força nesse veículo até uma casa, no Bairro Parque Cuiabá. O homem teria tirado as roupas da criança, tocado no corpo da menina e tirado fotos. Depois disso o suspeito a deixou no mesmo local de onde tinha sido levada.

O Conselho Tutelar foi chamado e tentou ajudar a criança a indicar a casa onde o suspeito a levou. Dois homens que estavam em um carro suspeito foram abordados pelos policiais, mas foram liberados, já que a criança não teria reconhecido nenhum deles.

Criança morta a pancadas pelo pai em SP foi agredida o dia todo, diz polícia

Do G1 Santos

Rafael, de cinco anos, morreu após ter sido espancado pelo próprio pai em Peruíbe (Foto: G1)Rafael, de cinco anos, morreu após ter sido espancado pelo próprio pai em Peruíbe (Foto: G1)

O pai considerado suspeito pela polícia de matar o próprio filho espancado em Peruíbe, no litoral de São Paulo, teria agredido a criança múltiplas vezes durante o dia. De acordo com a polícia, Felipe Araújo afirmou em depoimento que bateu em Rafael, de cinco anos, durante a manhã e também durante a noite.

De acordo com a polícia, Felipe de Jesus Soares Araújo, de 32 anos, espancou o garoto porque ele deu trabalho na hora de comer. O crime aconteceu no dia 15 e o homem fugiu após a PM ser acionada. Ele se entregou à polícia no dia 18 de julho e foi preso em seguida.

A polícia afirma que Felipe confessou o fato durante depoimento prestado aos investigadores de Peruíbe. Rafael teria sido agredido com socos e chutes durante o fim da manhã do dia 15 e novamente no começo da noite do mesmo dia.

A mãe do menino também será ouvida pelos investigadores responsáveis pelo caso. Além disso, ela também será indiciada, o que já foi determinado pelas autoridades policiais, por omissão. Imagens registradas pela Polícia Civil mostram o suspeito chegando à delegacia para prestar depoimento. (veja o vídeo ao final da matéria).

Confissão
Segundo a madrinha da vítima, Luciana da Silva, de 34 anos, Felipe ligou para o celular da mãe de Rafael no dia seguinte ao crime.

“Por conta da confusão, o celular dela [mãe de Rafael] acabou ficando comigo, portanto quando o Felipe me ligou, eu que atendi. Ele disse que a culpa não era dele, que ele não teve a intenção de matar o menino. Eu pedi para ele se entregar, mas ele disse que não ia fazer porque estava com medo de ser morto por alguém. Nesse momento, eu disse que iria enterrar o filho dele e a ligação caiu”, disse Luciana.

Ela conta também que conversou com a mãe do garoto, que está ‘arrasada’ com a situação.

Felipe de Jesus Soares Araújo, de 32 anos, se apresentou à polícia nesta segunda-feira (18) (Foto: G1)Felipe de Jesus Soares Araújo, de 32 anos, se apresentou à polícia nesta segunda-feira (18) (Foto: G1)
Delegacia sede de Peruíbe, no litoral de São Paulo (Foto: Cássio Lyra/G1)Delegacia sede de Peruíbe, no litoral de São Paulo (Foto: Cássio Lyra/G1)

Comportamento violento
A madrinha da criança diz que Felipe afirmou mais de uma vez que não gostava do filho e que o suspeito tinha um comportamento violento, que deixava a mãe de Rafael com medo.

“Certa vez, ele disse que não tinha nenhum amor pelo Rafael. Ele também era muito violento, e o medo era um dos motivos que mantinha a mãe do Rafael morando com esse monstro. Eu cheguei a sugerir para ela morar comigo, mas ele ameaçava ela caso saísse de casa”, disse.

Perplexa com o ocorrido, Luciana pede para que alguém que tenha informações sobre o paradeiro de Felipe denuncie à polícia. “Toda a família está arrasada. Só queremos justiça. O pior de tudo foi vê-lo dentro do caixão, todo machucado. Esse menino era uma pessoa especial”, desabafa.

Tio e primo são condenados por estupro de menina por quase 3 anos

Do G1 Sorocaba e Jundiaí

O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação de dois homens acusados de estuprar uma menor de idade em Itu (SP). Um dos acusados é tio da vítima e foi sentenciado a 14 anos de reclusão. Já o segundo, primo da criança, foi condenado a nove anos e quatro meses de prisão. Condenados em 1ª instância, os réus alegaram na apelação que apenas “brincavam” com a menina, mas a Justiça negou a apelação.

De acordo com os documentos do processo, os abusos teriam acontecido várias vezes durante quase três anos em casas nos bairros Portal do Edem e Jardim Europa. Os dois réus são acusados de encostar o pênis no corpo da vítima, hoje com 12 anos, além de obrigá-la a dar beijos na boca e passar a mão em seus órgãos genitais.

Durante a defesa, o tio afirmou que estaria apenas brincando com a menina em seu colo “como fazia com os outros netos, sem nenhuma maldade”. O primo, na época com 28 anos, alegou que teria “esbarrado” na garota durante “brincadeiras” em seu quarto, mas sem “qualquer intenção imprópria”.

Segundo a Justiça, os abusos só pararam após a menina contar o que acontecia para a mãe. Ela relatou que os abusos começaram em 2011, quando ainda tinha seis anos e que “demorou a contar os fato porque tinha medo que ela ficasse brava”. A responsável pela criança também testemunhou contra os dois acusados, afirmando ter presenciado um dos abusos cometidos pelo tio, “ocasião em que ele ficou sem graça e a vítima trancou-se no banheiro”.

O desembargador Guilherme Strenger destacou na decisão que, em casos como este, a palavra da vítima, se coerente e uniforme, merece integral acolhimento. “O quadro probatório contém elementos de convicção, de molde a não deixar dúvidas sobre a prática, pelos acusados, do crime de estupro de vulnerável – e não de mera contravenção penal, como pretende a defensoria”, afirmou o relator.

Os dois foram condenados em 2015 e, em setembro do mesmo ano, tiveram o habeas corpus negado pela Justiça. A defesa, então, apelou para tentar reduzir a pena e desqualificar o crime para contravenção penal, sem prisão, o que também foi indeferido pelo TJ. Não foi informado o presídio em que eles irão cumprir a pena.

Acusado de abusar de três enteadas é condenado a 94 anos de prisão

Do G1 Sorocaba e Jundiaí

Alexandre foi condenado a mais de 94 anos de prisão (Foto: Polícia Civil/Divulgação)Alexandre foi condenado a mais de 94 anos de prisão (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

A Justiça condenou um homem a 94 anos e seis meses de prisão por abusar sexualmente de três enteadas em Itatiba (SP). O caso foi denunciado à Polícia Civil em janeiro deste ano por uma das vítimas, uma adolescente de 14 anos, com a ajuda de um pastor evangélico.

Segundo a menor, Alexandre Rodrigues Cassino, de 32 anos, estuprava ela e as irmãs, de 7 e 12 anos, na ausência da mãe.

Segundo relatos da jovem à polícia, as três menores estavam sofrendo abusos sexuais há mais de quatro anos e eram ameaçadas pelo padrasto. O homem não pode recorrer ao processo em liberdade.

A mãe das vítimas foi chamada na época para prestar depoimento e negou saber dos abusos. O homem, que já tem várias passagens pela polícia, foi encaminhado ao Centro de Triagem de Campo Limpo Paulista (SP). O caso segue em segredo de Justiça.

Pai que matou o filho por não comer foge e avisa família: ‘Medo de morrer’

Do G1 Santos

Menino morreu após ser espancado pelo próprio pai em Peruíbe (Foto: G1)Menino morreu após ser espancado pelo próprio pai em Peruíbe (Foto: G1)

O pai considerado suspeito pela polícia de matar o próprio filho espancado em Peruíbe, no litoral de São Paulo, entrou em contato com a família da mãe do garoto e disse que não iria se entregar, pois está com “medo de morrer”.

Felipe de Jesus Soares Araujo, de 32 anos, é suspeito de espancar seu próprio filho, Rafael, de cinco anos, após o garoto dar trabalho para comer. O crime aconteceu na noite da última sexta-feira (15) e o homem fugiu após a Polícia Militar ser acionada.

Segundo a madrinha da vítima, Felipe ligou para o celular da mãe de Rafael no dia seguinte ao crime.

“Por conta da confusão, o celular dela [mãe de Rafael] acabou ficando comigo, portanto quando o Felipe me ligou, eu que atendi. Ele disse que a culpa não era dele, que ele não teve a intenção de matar o menino. Eu pedi para ele se entregar, mas ele disse que não ia fazer porque estava com medo de ser morto por alguém. Nesse momento, eu disse que iria enterrar o filho dele e a ligação caiu”, explica Luciana da Silva, de 34 anos.

Luciana conta também que conversou com a mãe do garoto, que está ‘arrasada’ com a situação.

Delegacia sede de Peruíbe, no litoral de São Paulo (Foto: Cássio Lyra/G1)Delegacia sede de Peruíbe, no litoral de São Paulo  (Foto: Cássio Lyra/G1)

A madrinha da criança diz que Felipe afirmou mais de uma vez que não gostava do filho e tinha um comportamento violento, o que deixava a mãe do menino com medo.

“Certa vez, ele disse que não tinha nenhum amor pelo Rafael. Ele também era muito violento, e o medo um dos motivos que mantinha a mãe do Rafael morando com esse monstro. Eu cheguei a sugerir para ela morar comigo, mas ele ameaçava ela caso saísse de casa”, disse.

Perplexa com o ocorrido, Luciana pede para que alguém que tenha informações sobre o paradeiro de Felipe denuncie à polícia. “Toda a família está arrasada. Só queremos justiça. O pior de tudo foi vê-lo dentro do caixão, todo machucado. Esse menino era uma pessoa especial”, desabafa.

Uma gravação para escapar dos abusos

Maria acaba de completar nove anos e há meses se nega a ficar com seu pai nos dias que correspondem a ele segundo a divisão determinada por um juizado da família. A polícia a espera nesses dias na saída da escola e assiste sempre às mesmas cenas: a recusa da menina, que algumas vezes grita e em outras se fecha ao ver seu progenitor; as súplicas deste, que em alguns casos derivaram em ameaças de agressão à mãe que acabaram perante um juiz; e os lamentos da mulher, que implora aos agentes para que não permitam que Maria vá com seu pai. Desde abril, a mãe está proibida de ir ao colégio nesses dias para evitar confrontos, e a polícia comparece por ordem judicial para “possibilitar a entrega e recebimento da menina”. Mas as medidas impostas pelo juizado não evitaram os conflitos na saída da escola, nem que Maria continuasse se negando a ir com seu pai. Até terça-feira, 7 de junho. Nesse dia, a filha protestou, gritou e resistiu durante mais de uma hora diante da polícia e dos professores, mas acabou entrando no carro com seus avós paternos. De volta em casa à noite, entregou a sua mãe uma gravação em que o pai admite os abusos sexuais que ela vinha denunciando há dois anos.

Uma gravação para escapar dos abusos
GETTY

A história de Maria, que não se chama Maria, ilustra o labirinto burocrático e judicial pelo qual normalmente têm que passar as crianças que denunciam abusos de seus pais. Quando há uma má relação entre os progenitores e não existem provas físicas claras das agressões, os juízes têm que tomar uma decisão apenas com os depoimentos dos protagonistas e com a avaliação técnica realizada pela equipe psicossocial dos juizados. O perito que examinou Maria não acreditou nela, e um juizado de Madri arquivou seu caso em janeiro deste ano, uma decisão confirmada depois por um tribunal superior. A mãe denunciou agora a conversa na qual o pai admite os abusos.

 

  • Uma gravação para escapar dos abusos

O arquivamento judicial não serviu para que a menina, filha única do casal, desistisse de suas acusações, que começaram há dois anos, depois que tiveram que levá-la ao pediatra porque sentia ardência ao urinar. Quando perguntada desde quando, respondeu: “Desde que o papai enfiou a unha”. Depois foi contando que seu pai fazia “cosquinhas” na genitália e que ela não gostava. Em agosto de 2014, depois que várias análises mostraram traços de infecção vaginal, a menina voltou ao serviço de emergência com os mesmos sintomas após passar 10 dias com o pai. O diagnóstico médico foi “suspeita de abuso sexual”.

Então a menina entrou na espiral do sistema de proteção de menores: declarações para médicos, polícia, peritos e juízes, que a pediam que relatasse várias vezes o que seu pai fazia. E então também começaram os gritos e brigas dos pais na porta do colégio cada vez que o progenitor chegava com a intenção de buscar sua filha. Em certa ocasião, depois que a mãe se negou a entregar a menina, os agentes se reuniram com o pai em uma sala do colégio para informá-lo da situação e tentar acalmá-lo. Segundo afirma o relato policial, o homem, que se mostrava “abalado” e com “picos de ansiedade”, disse aos policiais: “Prefiro vê-la morta a não vê-la, porque isso já é insuportável”. Os agentes informaram ao juizado, e o mesmo juiz que havia arquivado a denúncia de abusos concluiu que “a frase prefiro vê-la morte é uma frase que não denota qualquer intenção de causar um mal a sua filha”. “Previsivelmente”, acrescenta o juiz, “foi provocada pelo desespero oriundo da impossibilidade de ver sua filha e pelo fato de se ver acusado de um crime de abuso sexual contra ela própria”.

Os dois últimos anos de Maria transcorreram entre denúncias cruzadas de seus pais sobre os abusos à menor, descumprimentos por parte da mulher do regime de visitas e ameaças do homem contra sua ex-mulher. Até que na terça, 7 de junho, a menina pegou um pequeno gravador de sua mãe e, ao terminar a aula, foi ao banheiro e o colocou dentro da meia. Assim ficaram gravadas as seis horas seguintes, que passou com seus avós e com seu pai. Quando havia passado 3 horas e 42 minutos, o pai a recrimina por não estar bem com ele. Após uma pequena discussão, o homem a pergunta: “Mas quando eu te toquei?”. “Muitas vezes”, responde a filha. “Mas querida, isso é para brincar”, responde o pai. “Mas você não tem que fazer isso nunca, meu corpo é meu”. “Seu corpo é seu, de fato (…), quando você dizia para não te tocar, eu parava”, diz o pai, que acrescenta: “A única coisa que eu estava fazendo era cosquinhas, e estava brincando contigo”.

Dois relatórios contraditórios

Como costuma ocorrer nos supostos abusos de menores nos quais não há provas físicas, no caso de Maria o relato feito por um psicólogo do juizado de Madri foi determinante para que um juiz o arquivasse. A menina contou ao perito que seu pai a tocava “por dentro da calcinha” desde que tinha “seis ou sete anos”, e narrou um episódio concreto que dizia se lembrar melhor, mas o psicólogo não acreditou nela. Em seu relatório ressalta que a narração carece de “estrutura lógica” e de “detalhes”. Outra avaliação encomendada pela mãe, que examinou o vídeo do depoimento, adverte que o perito foi interrompido reiteradamente por visitas e telefonemas, e que a repetição de perguntas à criança “provoca agonia até mesmo na leitura e escuta do interrogatório”.

O avô tenta mediar explicando à menina que o pai a tocava para limpá-la. “Tem que ficar bem limpa e passar pomada”, diz.

— “Não, não, não, eu sei o que a menina diz, eu sei ao que ela se refere”, corrige o pai.

O avô insiste: “Eu também te lavava, então seria igual”.

—“Não, ela não se refere a isso, eu sei ao que se refere”, esclarece o pai.

—“Bom, então chega!”, grita a menina.

—“Bom, então aguenta, então aguenta!”, responde ele, aos berros.

O avô insiste que o pai só a tocava para lavá-la, e seu filho o interrompe de novo: “Tá bom, pai, ela se refere a outra coisa. Fala com ela como se fosse mais velha, que ela não se refere a isso”. “Sim, já sabemos”, conclui a avó.

A conversa entra a menina, seus avós e seu pai dura seis minutos. Após dois segundos de silêncio, os avós desviam a atenção de Maria para bonecas Pinypon.

Menina escreve carta à mãe no AM e denuncia pai por estupro: ‘Me ajuda’

Do G1 AM

Menina denunciou estupro e pediu ajuda da mãe (Foto: Divulgação/Polícia Militar)Menina denunciou estupro e pediu ajuda da mãe (Foto: Divulgação/Polícia Militar)

Uma carta foi a maneira encontrada por uma menina de 12 anos para contar à mãe sobre os estupros sofridos pelo próprio pai, dentro da casa da família. O pedido de socorro foi entregue à polícia na Zona Leste de Manaus, e o homem foi preso na terça-feira (21). No relato, a criança conta que os estupros ocorriam há algum tempo e que já havia escrito uma outra carta para a mãe, mas não teve coragem de entregar. No texto, ela pede ajuda.

O tenente B. Chaves, da 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), contou ao G1 que foi abordado pela menina e pela mãe, ambas abaladas. Após ouvir o relato das duas e ler a carta, uma viatura foi até a casa da família e o homem foi preso em flagrante.

A menina contou à polícia que foi vítima de mais um estupro na tarde de terça e, por isso, decidiu escrever a carta para a mãe. “Ela sentia vergonha, tinha medo. Ela pedia perdão porque na cabeça dela estava traindo a própria mãe”, disse o policial.

Menina relatou estupro em carta escrita para a mãe (Foto: Arquivo Pessoal)Menina relatou estupro em carta escrita para a mãe  (Divulgação/Polícia Militar)

Relato
No texto, a criança conta como ocorriam os crimes. A menina não cita quando os estupros tiveram início, mas afirma que eles ocorriam há muito tempo. Ela chega a pedir perdão para a mãe e a dizer que não conseguia impedir os abusos do pai.

“Mãe, me perdoa. Faz um tempo que isso está acontecendo […] hoje isso aconteceu, isso é tão nojento. Mãe, eu nunca teria coragem de dizer para ele parar. Tudo começou quando ele veio com uma história de que queria lutar. Eu queria tirar ele de cima de mim, mas eu não conseguia, depois eu deixei, mas na minha mente eu nunca quis, ele falava para eu não sair, só que me doía muito mas eu sempre deixava. […] Eu não queria olhar na cara dele, mas eu tinha que fingir que estava tudo normal. Eu não queria mais escutar no jornal coisa (sobre) abuso porque me doía muito. Eu já tinha escrito outra carta, só que não tive coragem de entregar. Eu pedi a Deus coragem para entregar essa. Por isso eu ficava com raiva de repente, nem ele nem a senhora me viram chorando, mas eu choro muito”, diz um trecho da carta.

Segundo a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), o homem tem 34 anos, é industriário durante o dia e à noite faz bicos como mototaxista. Na delegacia, o pai negou as acusações da filha.

A menina foi encaminhada para exames no Instituto Médico Legal (IML). O laudo, segundo a assessoria da Polícia Civil, confirmou os abusos.

O pai da criança foi autuado por estupro de vulnerável e deve ser encaminhado à Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa.

Caso foi encaminhado para Depca (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)Caso foi encaminhado para Depca
(Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)

Dados
Em Manaus, 1. 283 casos de estupro em menores de 18 anos foram registrados de janeiro de 2014 a maio de 2016. Em 732 deles, as vítimas tinham menos de 11 anos.

Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), que apontou ainda o total de 551 registros de estupros com vítimas entre 12 e 17 anos.

Juliana Tuma, titular da Depca, afirmou que grande parte dos estupros são cometidos por alguém da família ou próximo da criança, dificultando que a vítima revele o crime. Ter atenção ao comportamento das crianças contribui para os responsáveis descobrirem os casos.

“A própria alteração psicossomática nessa criança vai mostrar algo errado, como introspecção, agressividade, isolamento, tristeza, apatia, alterações no sono . Então, a mãe tem que estar atenta para  alterações de comportamento de seu filho e estabelecer uma relação de confiança com ele para evitar esses casos”, afirma a delegada.

Trechos da carta escrita pela vítima (Foto: Reprodução)Trechos da carta escrita pela vítima (Foto: Reprodução)
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