Arquivo mensal: outubro 2012

Mãe diz que bebê passou a noite em carro antes de morrer, afirma delegada

Andressa Prado está grávida de nove meses (Foto: Adriano Zago/G1)Andressa Prado está presa na CPP
(Foto: Adriano Zago/G1)

Acusada da morte do filho de 1 ano, Andressa Prado de Oliveira, de 26 anos, mudou a versão de como teria encontrado o bebê morto dentro do carro, em Aparecida de Goiânia, em março deste ano. As novas declarações foram feitas durante a última audiência de instrução do processo criminal, na tarde de segunda-feira (29), no Fórum de Justiça da cidade. Segundo a titular da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA) da cidade e responsável pelo caso, Myrian Vidal, Andressa afirmou na audiência que o menino passou a noite no veículo.

A mãe declarou ao juiz da 4ª Vara Criminal de Aparecida de Goiânia que deixou o bebê no carro desde a noite a anterior até por volta das 12h45 do dia seguinte. Também contou que ela e o companheiro alteraram a cena do ocorrido. Com isso, o homem poderá ser incriminado, de acordo com Myrian Vidal.

O G1 entrou em contato com o advogado de Andressa por telefone, mas ele preferiu não se manifestar sobre as novas declarações da acusada.

O bebê, segundo o relato da mãe na audiência, foi deixado no banco da frente do carro, coberto com um edredom. Andressa informou que, ao encontrar a criança morta, o companheiro o retirou do carro. Ela relatou ter andado com o filho no colo pela casa e só depois o colocado no banco de trás. Nesse momento, o casal teria decidido ligar para o 190 e pedir socorro.

A mãe acusada no processo de homicídio doloso, onde há intenção de matar, reiterou que não deixou o filho de propósito e se tratou de um acidente. Ela conta que, como trabalhou durante muito tempo à noite, tem o costume de dormir entre 4h e 5h da manhã. Aos presentes, ela declarou que nesse horário olhou a criança no carro e viu que o filho estava dormindo.

Ela contou que o companheiro tinha o hábito de acordar cedo e retirar o menino do carro. Mas no dia do incidente, isso não aconteceu. Os dois teriam dormido até por volta das 12h45. O homem teria acordado primeiro e encontrado o garoto morto. Ela relatou, na audiência, que acordou com os gritos do companheiro.

Novo depoimento
Ao G1, a delegada responsável pelo caso, Myrian Vidal, informou que, com as novas declarações, vai reconvocar o companheiro de Andressa para depor. “Em depoimento, ele disse ter encontrado a criança no banco de trás do carro e não falou nada do que ela relatou ao juiz e à promotora”. Myriam preferiu não definir a data da nova oitiva por causa da greve dos agentes da Polícia Civil.

Para a delegada, a nova versão não muda a tipificação do crime. Myriam alega que trata-se de um homicídio doloso, porque “quando a mãe deixou o filho no sozinho no carro, assumiu o risco de matar”.

Filho de Andressa Prado Oliveira, Goiás (Foto: Reprodução TV Anhanguera)Filho de Andressa Prado Oliveira, de 1 ano
(Foto: Reprodução TV Anhanguera)

Promotoria
O G1 entrou em contato com 5ª Promotoria de Justiça de Aparecida de Goiânia, responsável por atuar na 4ª Vara Criminal na tarde desta terça-feira, mas segundo a secretária da promotora Renata Oliveira, ela estava em uma audiência e, por isso, não poderia falar sobre o caso.

Morte
O bebê de 1 ano foi encontrado morto dentro do carro na tarde do dia 27 de março deste ano, no Setor Santa Luzia. Ele foi deixado pela mãe dentro do veículo, do lado de fora de casa, debaixo de sol, por aproximadamente quatro horas, conforme Andressa relatou nos primeiros depoimentos. Ela alegou que o filho gostava de brincar dentro do carro e, por esse motivo, o teria deixado lá dentro.

Andressa, com então cinco meses de gestação, disse ter tomado um remédio para enjoo e se deitado. Ela afirma ter sido acordada pelo companheiro somente horas depois, quando recebeu a notícia da morte do bebê.

Em entrevista exclusiva ao G1 em agosto deste ano, a vendedora Andressa Prado, que está presa na Casa de Prisão Provisória (CPP), alegou inocência e chorou ao lembrar do filho. “Não fiz aquilo que as pessoas estão falando que eu fiz, que deixei ele lá para morrer de propósito. Não faria isso nem com animais, nenhum bicho merece isso”, declarou.

Pai suspeito de abusar da filha é preso no RS, diz polícia

Do G1 RS

Um homem de 51 anos, suspeito de abusar sexualmente da filha de 22 anos, foi preso na noite desta terça-feira em Cruz Alta, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul. A Brigada Militar chegou até a casa dele após vizinhos denunciarem o crime.

Segundo a polícia, a filha tem problemas mentais e foi submetida a um exame de sangue porque há suspeita que ela esteja grávida do próprio pai. O homem foi encaminhado ao Presídio Estadual de Cruz Alta. Este foi o terceiro caso de abuso sexual em menos de uma semana no município.

Polícia divulga imagens de suspeito de estuprar criança no DF

A polícia do Distrito Federal divulgou nesta terça-feira (30) imagens (veja vídeo ao lado) do homem suspeito de estuprar uma menina de 6 anos, no Itapoã, no domingo(28). O homem foi flagrado pelas câmeras de segurança de uma residência vizinha ao local do crime.

As imagens mostram um homem em dois momentos. Primeiro, vestido de calça jeans, camisa preta e boné. A câmera flagrou também o momento da fuga, quando o homem está nu e corre com a roupa na mão.

De acordo com a polícia, as imagens estão sendo analisadas pela perícia. Além disso, foram recolhidas impressões digitais na casa da vítima. O local  está em obras, o que pode ter facilitado o acesso à residência.

A polícia já ouviu três pessoas suspeitas. Nesta segunda, o delegado Miguel Lucena disse que há chances do homem ser conhecido da família da menina.

O crime aconteceu na madrugada de domingo (28). Um homem invadiu a casa no bairro Fazendinha. Armado com uma faca, ele foi até o quarto da criança, no andar superior, e a levou para o térreo. A menina teria gritado ao ser violentada, o que acordou os pais. O suspeito fugiu quando os pais da menina descerem para socorrê-la.

A menina foi levada ao Hospital Regional do Paranoá. Segundo uma pessoa ligada à família, ela passa bem.

A polícia informou que o suspeito sabia exatamente onde se localizava o interruptor de luz e a bolsa da mãe, de onde tirou uma câmera e uma carteira. Ele teria imitado a voz do pai ao abordar a menina. Uma pessoa ligada à família afirmou que a criança chegou a relatar que o agressor parecia estar alcoolizado.

Durante a fuga, o estuprador esqueceu os objetos na casa e também deixou uma blusa e um isqueiro. Os objetos foram levados para a perícia.

Fonte: G1

Aprovado projeto que pode facilitar extradição de condenados por pedofilia

O Plenário aprovou nesta quarta-feira (22) o Projeto de Lei 3772/08, do Senado, que torna mais ágil a formalização de pedido de extradição e de prisão cautelar de criminosos por outros países. O texto aprovado é um substitutivo da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara. Como o projeto foi alterado pelos deputados, a proposta retorna ao Senado.

O projeto foi apresentado no Senado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, com base no PL 2715/07, do deputado João Campos (PSDB-GO). O objetivo da CPI era aumentar a agilidade do sistema judiciário brasileiro no combate ao crime de pedofilia, principalmente pela internet. As mudanças atingem, entretanto, qualquer tipo de crime.

Pedido da Interpol

Uma das novidades incluídas pelo projeto no Estatuto do Estrangeiro (Lei 6.815/80) é a possibilidade de a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) pedir a prisão cautelar com fundamento em ordem de prisão emitida por Estado estrangeiro.

Quer seja feito pela Interpol ou pelo governo onde ocorreu a condenação, esse pedido poderá ser feito por correio, fax, email ou qualquer outro meio escrito.

Ministério da Justiça

De acordo com o texto, o Ministério da Justiça também poderá receber o pedido de extradição diretamente, sem passar pela via diplomática, se isso estiver previsto em tratado.

Arquivo/ Beto Oliveira
Lincoln Portela
Lincoln Portela: novas regras ampliarão combate à pedofilia.

Tanto o Itamaraty quanto o Ministério da Justiça deverão, segundo o projeto, verificar a existência dos pressupostos formais necessários à admissão dos pedidos (de extradição ou de prisão cautelar) antes de enviá-los ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A contagem do prazo de 90 dias para o Estado estrangeiro pedir a extradição de pessoa presa cautelarmente passa a correr a partir de sua ciência da prisão. Atualmente, o estatuto estipula a efetivação da prisão como início do prazo.

O deputado Lincoln Portela (PR-MG), que pediu a urgência para votação do projeto, disse que o texto vai facilitar a punição de estrangeiros que pratiquem pedofilia no País. “Não estamos apenas impedindo determinados crimes, mas também resolvendo a questão do intercâmbio de pedofilia existente entre o Brasil e outros países”, disse.

Portela também ressaltou que o Brasil vai sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 e, por isso, precisa estar preparado para responsabilizar os estrangeiros que cometerem crimes.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Eduardo Piovesan e Carol Siqueira
Edição – Pierre Triboli

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara de Notícias

Conheça canais de atendimento para vítimas de violência sexual

Falar sobre a violência sexual é ao mesmo tempo uma necessidade e um tabu para a vítima. “A criança e o adolescente têm muita dificuldade de falar sobre o abuso sofrido”, diz Gorete Vasconcelos, coordenadora de Programas da Childhood Brasil. Segundo ela, na maioria das vezes, a criança procura uma pessoa em quem confia para falar sobre a violência sofrida.

No Brasil, além do Disque 100, canal de denúncia nacional, e das dicas de “como agir” disponibilizadas em nosso site, há alguns serviços telefônicos ou presenciais que trabalham no aconselhamento e atendimento às vítimas crianças e adolescentes. A seguir, seguem informações sobre alguns deles e se você souber de mais serviços e puder contribuir, mande para a equipe da Childhood Brasil.

 123 Alô!

Seguindo o modelo do atendimento telefônico da rede Child Helpline Internacional, presente em mais de 150 países no mundo, o 123 Alô! é um canal de comunicação gratuito voltado especialmente para atender crianças e adolescentes no Rio de Janeiro. Criado em 2009, é um serviço gratuito que oferece atendimento qualificado por telefone, chat ou e-mail, além de oferecer informações e orientações para os que buscam ajuda. O atendimento é realizado por meio do 0800 0 123 123.

De janeiro a meados de outubro de 2012, uma média mensal de 283 crianças e adolescentes recorreram ao atendimento. Desses, 45% foram via telefone, 47% via e-mail e 8% via chat. Segundo a coordenadora do 123 Alô!, Vânia Izzo, o grande diferencial desse serviço é que as crianças e adolescentes se sentem acolhidas naquilo que necessitam compartilhar. “A solidão e a falta de ter com quem falar são as queixas mais frequentes e o cenário para que apareçam as situações de abuso sexual, negligência e violência”, diz.

Dependendo do caso, o encaminhamento pode ser para um atendimento psicológico próximo à residência ou, em se tratando de abuso sexual, a criança ou adolescente são orientados a identificar-se para que seja encaminhada uma denúncia ao Conselho Tutelar.

Para mais informações, visite a página do 123 Alô!

Projeto Viver

O Viver – Serviço de Atenção a Pessoas em Situação de Violência Sexual, projeto da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia, foi implementado em dezembro de 2001 com o objetivo de disponibilizar, gratuitamente, às vítimas e a seus familiares o atendimento e acompanhamento necessários. De acordo com Francione Pires, coordenadora administrativa do projeto, “antes, as pessoas faziam as denúncias, mas não tinham acompanhamento. No Viver, elas são acolhidas por uma equipe que identifica suas necessidades e os serviços que darão conta delas”.

Das vítimas que chegam ao VIVER, 92% são do sexo feminino e 73% crianças e adolescentes. São 70 novos casos por mês somados aos que já estão sendo acompanhados.

Embora possua atendimento por telefone (0800 284 2222), o Viver tem seus serviços direcionados ao atendimento presencial, em Salvador, onde a vítima é recebida por uma equipe multidisciplinar. O acompanhamento não tem tempo determinado para acabar e inclui atendimento social, médico, psicológico e jurídico.

Ao atuar em cooperação com outras instituições, como Secretaria Estadual de Saúde, Ministério Público e Conselhos Tutelares, o Viver busca fornecer um atendimento integral às vítimas.

Para mais informações, visite a página do Projeto Viver.

 PAVAS

 Ligado à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, o Programa de Atenção à Violência Sexual (Pavas) presta atendimento a crianças e adolescentes em situação de abuso sexual e às suas famílias. Com uma equipe multidisciplinar, o programa tem como objetivo prevenir e tratar as consequências da violência sexual, além de ajudar com mecanismos que diminuam a situação de vulnerabilidade.

O Pavas não trabalha com fila de espera. As consultas são agendadas pelo telefone (11) 3061 7726 para que seja marcada uma triagem. De acordo com o médico da equipe, Théo Lerner, o atendimento é feito primeiramente em grupo e depois cada caso é tratado separadamente.

Para mais informações, visite a página do PAVAS.

Centro de Valorização da Vida (CVV)

A proposta do Centro de Valorização da Vida (CVV) é fornecer apoio emocional gratuito a quem recorrer ao serviço, disponível por telefone (141), chat, VoIP, correspondência e de maneira presencial. Mais de 2.200 voluntários são responsáveis pelo atendimento. “Lidamos com qualquer assunto. Nosso objetivo é ouvir a pessoa que liga e entender o que ela está sentindo”, diz Adriana Rizzo, voluntária do CVV. A maior parte dos atendimentos estão relacionados à prevenção do suicídio. Porém, Rizzo ressalta que a equipe está preparada para lidar com qualquer assunto, como a violência sexual contra crianças e adolescentes.

Para mais informações, visite a página do CVV.

Fonte: http://www.childhood.org.br/conheca-canais-de-atendimento-para-vitimas-de-violencia-sexual

Pontos vulneráveis

O quinto mapeamento dos pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias federais brasileiras, lançado em maio, é uma iniciativa da Polícia Rodoviária Federal em parceria com a Childhood Brasil, a Secretaria dos Direitos Humanos e aOrganização Internacional do Trabalho (OIT). Nesta edição, a região centro-oeste do Brasil foi apontada como a região mais propícia para a prática deste crime, com 398 áreas mapeadas, de um total de 1.776 em todo o País. Em segundo lugar, aparece o nordeste, com 371 pontos propícios à exploração sexual de crianças e adolescentes, seguido das regiões norte (333), sudoeste (358) e sul (316).

 Os números gerais mostram uma redução de 2,42% no número de pontos em relação ao levantamento anterior (2009/2010), quando foram encontrados 1.820 locais vulneráveis à exploração de crianças e adolescentes. Os locais muito críticos e de alto risco encontrado (1.171) também diminuíram na comparação com a pesquisa realizada, de 2009/2010, que apontou 1.402 pontos nesta situação.

Os pontos vulneráveis são ambientes ou estabelecimentos propícios à exploração, onde os agentes da polícia encontram características como: falta de iluminação, presença de adultos se prostituindo, falta de vigilância privada, aglomeração de veículos em trânsito e consumo de bebida alcoólica. Há locais onde já foram confirmados casos de exploração sexual de menores e outros com indícios ou denúncias.

Os cinco estados que mais apresentam pontos vulneráveis são: Minas Gerais, com 252 pontos; Pará, com 208; Goiás, com 168; Santa Catarina, com 113; e Mato Grosso, com 112 locais considerados vulneráveis à exploração sexual. O estado com menos pontos vulneráveis é o Amapá, onde foram localizados cinco pontos. O mapeamento também revelou que a maioria dos locais vulneráveis à exploração sexual (65,8%) estão concentradas em áreas urbanas.

O mapeamento foi criado há dez anos e visa a ampliação e o fortalecimento das ações de enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes no território brasileiro, por meio da realização e atualização dos pontos vulneráveis ao longo das rodovias federais no país, objetivando, sobretudo, subsidiar o desenvolvimento de ações preventivas e repressivas, as políticas públicas de assistência social e as políticas públicas coordenadas pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Próximas ações

O mapeamento começará a ser realizado também nas rodovias estaduais. A Childhood Brasil e a Polícia Rodoviária Federal trabalham com a Polícia Militar Rodoviária do Estado de Pernambuco para que a mesma metodologia seja utilizada.

Outro desdobramento da pesquisa refere-se ao fortalecimento das políticas públicas de assistência social nas comunidades próximas aos pontos críticos. Além disso, o mapeamento também ajuda a direcionar a ação e metodologia de funcionamento dos conselhos tutelares e de toda a rede, melhorando o atendimento às vítimas.

 Fonte: Childhood Brasil

Seis erros cometidos pelos pais na educação dos filhos

Autores e especialistas listam e comentam os equívocos mais comuns dos pais no relacionamento com as crianças.

Elogiar muito uma criança pode estragá-la. Para um adolescente, discutir com os pais demonstra respeito. Estas são apenas algumas afirmações contidas em “Os 10 Erros Mais Comuns na Educação de Crianças” (Editora Lua de Papel), recém-lançado no Brasil e escrito pelos americanos Po Bronson e Ashley Merryman. No livro, os autores procuram desconstruir mitos atuais a respeito da educação das crianças a partir de resultados de pesquisas sobre o desenvolvimento infantil. Conheça alguns dos discursos equivocados mais comuns dos pais citados pelo livro e confira os comentários de especialistas.

“Sempre elogio meu filho”

Incentivar e apoiar as atitudes de uma criança parece um caminho 100% seguro para garantir autoestima em alta. O problema é que o exagero pode levar a um efeito exatamente contrário. “Até os anos 70 não havia uma preocupação nítida com essa questão da autoestima dos filhos. Quando se começa a falar mais sobre isso, vem o exagero. Os pais começaram a elogiar qualquer coisa, mesmo que banal”, afirma Tania Zagury, mestre em educação e autora do livro “Filhos: manual de instruções” (Editora Record).

Tania ressalta que encorajar e parabenizar um filho deve fazer parte da rotina da família, desde que os pais percebam que as crianças realmente se esforçaram para atingir o objetivo. “Elogios excessivos e falta de encorajamento são dois extremos perigosos. O ideal é cada família encontrar o seu equilíbrio”.

“Deixo meu filho dormir um pouco mais tarde para ficar comigo”

De acordo com os autores do livro, pesquisas apontam que uma hora a menos de sono por dia pode significar problemas como comprometimento da capacidade intelectual, do bem-estar emocional, déficit de atenção e obesidade. Apesar de não haver ainda um consenso estabelecido pelos estudiosos, muitos defendem a ideia de danos causados pela diminuição de horas de sono para crianças e adolescentes.

“Os pais trabalham fora e acabam chegando tarde. Para compensar essa ausência permitem que seus filhos fiquem acordados até mais tarde em sua companhia. Mas isso pode ter um efeito ruim”, aponta Tania. O psicólogo clínico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Quirino concorda: “um sono ruim pode gerar alterações afetivas, cognitivas e sociais. O sono é fundamental para uma boa saúde”.

“Ensino a meu filho que somos todos iguais”

Qual a forma ideal de falar sobre diversidade racial com as crianças? Muitos pais acreditam que expor a criança a um ambiente multirracial, sem necessariamente apontar diferenças físicas como a cor da pele, seria o suficiente para desencorajar o preconceito e fazer com que o filho encare tudo com naturalidade. Para Po Bronson e Ashley Merryman, ficar apenas no discurso de “somos todos iguais” não é o caminho ideal. Os autores do livro defendem a abordagem mais clara do tema com diálogos exatamente sobre essas diferenças físicas e por que elas não devem ser motivo de discriminação. “O discurso de que somos todos iguais é mesmo muito superficial porque simplesmente não somos iguais. Pelo menos não fisicamente”, diz Marcelo.

Psicóloga e terapeuta familiar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Marina Vasconcellos acredita que o importante é ensinar a respeitar as diferenças. “Dizer que somos todos iguais acaba sendo uma mentira mesmo. Outra abordagem é necessária”.

“A criança enxerga diferenças físicas. É uma questão visual. Precisamos ensinar que essas diferenças existem e nem por isso um é melhor do que o outro. A questão do preconceito deve ser trabalhada desde cedo com mais profundidade”, afirma Tania.

“Não discuto com meu filho adolescente”

Fase de bastante atrito, a adolescência é motivo de pavor para muitos pais. Alguns se sentem afrontados e outros desrespeitados diante de tantas discussões e confrontos. Mas será que os filhos também enxergam as discussões como uma forma de desrespeitar seus pais? “Tudo depende de como essa discussão acontece. Vozes exaltadas e xingamentos, por exemplo, não fazem parte de uma discussão saudável. Mas se é uma conversa respeitosa, é muito positivo para a família”, conta Marina.

Para fugir de tantos conflitos, muitos pais acabam sendo condescendentes com atitudes erradas dos filhos, como dirigir um carro sem permissão ou chegar embriagado em casa. Casos assim exigem posicionamento dos pais para o adolescente saber que eles se importam com seu bem-estar. “O adolescente pode confundir permissividade excessiva com falta de interesse mesmo. É preciso encontrar um equilíbrio. O interesse abusivo e o desinteresse total são igualmente prejudiciais”, ensina Marcelo Quirino.

“Meu filho é superinteligente”

Será possível detectar hoje os grandes nomes do futuro? O livro de Po Bronson e Ashley Merryman conta que milhões de crianças competem por vagas em boas escolas nos Estados Unidos, mas que em 73% dos casos todo esse processo seletivo mostrou-se equivocado. “Não há como prever se uma criança vai ser bem sucedida, mas se ela tiver uma boa educação certamente terá mais chances”, diz Tania Zagury.

“Os pais ou os avós podem até enxergar um gênio, entretanto é o coração falando alto. Tirando o emocional de campo, crianças mais precocemente estimuladas possuem maior possibilidade de desenvolvimento intelectual”, diz Tania, observando que as diferenças individuais existem e devem ser respeitadas.

“Meu filho assiste a DVDs educativos”

É sedutor pensar nos vídeos educativos disponíveis na prateleira das lojas como ajudantes poderosos no desenvolvimento da fala do seu bebê. Um engano comum, segundo os autores de “Os 10 Erros Mais Comuns na Educação de Crianças”. O assunto é tão polêmico que foi alvo de um comunicado da Academia Americana de Pediatria condenando o uso de vídeos para crianças de até dois anos de idade.

O psicólogo Marcelo Quirino explica que o desenvolvimento da linguagem é acima de tudo afetivo. “O vídeo é passivo e não estimula a interatividade com a criança. É uma ferramenta auditiva e visual. Não substitui o afeto e o diálogo entre pais e filhos”.

Fonte: Portal IG