Padrasto da menina Laura Beatriz é condenado a 25 anos de prisão em SC

Do G1 SC, com informações da RBS TV
Laura Beatriz Cardozo morreu em abril de 2016 (Foto: Reprodução/RBSTV)Laura Beatriz Cardozo morreu em abril de 2016 (Foto: Reprodução/RBSTV)

Quase sete meses após a morte da menina Laura Beatriz Cardozo, de 3 anos, o padrastro dela, Rafael Silva dos Santos, de 21 anos, foi condenado a 25 anos, dois meses e seis dias de prisão em regime fechado pelos crimes de estupro e tortura seguida de morte.

O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (3) em Araquari, no Norte do estado, onde a família vivia. A mãe da criança, Rozemére Cardozo, de 26 anos, foi condenada por omissão. Ela deverá cumprir pena de um ano, quatro meses e 24 dias de detenção, em regime aberto, e poderá recorrer em liberdade. Ela foi solta ainda na quinta-feira.

Já o padrastro continuará preso enquanto traminarem eventuais recuros. O homem cumpre pena na UPA de São Francisco do Sul.

O crime
Laura Beatriz Cardozo morreu no dia 10 de abril, um dia após dar entrada no pronto-socorro da cidade com vários hematomas pelo corpo, parada cardiorrespiratória e traumatismo craniano.

O helicóptero da polícia conduziu a menina para um hospital de Joinville. A criança chegou a passar por uma cirurgia na cabeça, mas não resistiu. De acordo com a Polícia Militar de Araquari, o padrasto da garota informou no pronto-atendimento que estava de bicicleta com a menina quando foram atacados por um cachorro. Ele afirmou que os dois teriam caído da bicicleta e que um animal mordeu a menina.

Versões contraditórias
Após ser confrontado, o rapaz mudou a versão e informou à PM que não havia bicicleta e que estava apenas com a criança no colo quando foi atacado por cachorros. O padrasto chegou a fugir do hospital, mas acabou preso em flagrante ainda no dia 9 de abril, quando Laura foi internada no hospital. Um exame comprovou que a criança foi estuprada

A mãe da menina chegou a confirmar a versão do padrasto. Ela contou que estava trabalhando e deixou a menina aos cuidados do companheiro. Em depoimento à Polícia Civil, a mãe negou torturas, maus-tratos ou omissão.

Ela também afirmou que não presenciou nada no dia em que a filha foi levada ao pronto-atendimento de Araquari e que não acreditava na versão do companheiro. A mulher foi presa preventivamente no dia 20 de abril.

Algumas testemunhas relataram em depoimento que as agressões contra a criança eram frequentes. Na casa da família, a polícia encontrou papel higiênico e gazes sujos de sangue.

À Justiça, Rafael negou ter cometido os crimes, questionou as provas e acusou a ex-companheira de ter agredido a menina. A mulher negou ter agredido a filha e disse que não sabia que o companheiro era violento.

Sentença
Na sentença proferida nesta quinta-feira (3), a juíza Cristina Paul Cunha Bogo escreveu que as lesões no corpo da menina demonstraram “a agressividade exagerada e o emprego de meio insidioso, que evidenciam o desapego e frieza do réu para com sua enteada”.

Em relação à mãe, a juíza escreveu que não ficou comprovado que ela agredia, de fato, a criança, mas que “inexiste qualquer justificativa para não ter agido com o cuidado, zelo e cautela que se espera de uma mãe diante da prática de tamanha crueldade contra sua prole”.

Testemunhas relataram que as agressões à criança eram frequentes. “Foi apurado que Rozemére já presenciou Rafael desferindo bengaladas na cabeça e nas costas de Laura, bem como deixando-a, em cadeira de rodas por conta de uma fratura no fêmur, do lado de fora da casa, no escuro, sozinha, chorando”, diz a sentença.

Até a publicação desta notícia o G1 tentava contato com os defensores do padrasto e da mãe da criança.

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