‘Os laudos me deixaram confusa’, diz mãe de bebê morto em SC

Do G1 SC
A mãe do bebê de 10 meses, que morreu por traumatismo craniano em Jaraguá do Sul em 5 de maio, falou pela primeira vez sobre o caso. A mulher comentou a versão do padrasto, preso preventivamente, suspeito de ter sacudido o menino e causado os ferimentos que levaram à morte, como mostrou o Bom Dia Santa Catarina desta quarta-feira (1).

Pela versão do homem, o menino morreu ao cair da cama para um colchão que estava no piso. A mãe disse que não viu o que aconteceu, que estava tomando banho na hora do fato.

“Ele disse que foi para a cozinha pegar um prato de comida e as crianças foram também. O bebezinho ficou em cima da cama e que nesse intervalo escutou um choro que logo parou. Quando ele foi ao quarto a criança estava de bruços em cima do colchão”, contou.

Mãe falou pela primeira vez após a morte do filho, ocorrida em 5 de maio (Foto: Reprodução/RBS TV)Mãe falou pela primeira vez após a morte do filho,  ocorrida em 5 de maio (Foto: Reprodução/RBS TV)

Mãe se diz confusa
“Eu escutei a versão dele. Todo mundo perguntava, ‘você acredita, você não acredita?’ Ouvi a versão dele, só que agora esses laudos me deixaram confusa”, afirmou.

O menino de 10 meses morava com a mãe, uma irmã de 4 anos e o padrasto em uma casa do bairro Vila Lenzi. O casal morava na mesma casa há seis meses e a mulher disse nunca tinha visto o companheiro ser violento. “Ele conversava alto, mas nunca demonstrou frieza ou ser agressivo”, disse a mulher.

O padrinho do bebê, apesar de não ter visto agressões, tinha suspeitas. “Ele (o bebê) tinha muito medo do padrasto. Quando ele estava brincando no chão e o padrasto chegava, ele corria, agarrava as pernas de alguém. Uma criança de 10 meses não pode ter esse tipo de medo”, disse o padrinho.

Traumas após sacudida
Conforme a RBS TV, o padrasto já tinha sido indiciado por agredir outra companheira em 2013. A polícia não acredita que a mãe do menino tenha envolvimento no crime.

“No dia morte, tem uma testemunha que diz que viu a criança ser sacudida pelo padrasto. Nós entendemos que ele cometeu homicídio doloso contra a criança e ainda com uma qualificadora, porque impediu a defesa da vítima”, disse a delegada Milena de Fátima Rosa.

A advogado do padrasto disse à RBS TV que não vai se manifestar sobre o caso, porém, adiantou que vai fazer um pedido de revogação da prisão preventiva.

Prisão do padrasto
O suspeito foi preso pela Polícia Civil no dia 28 de maio. Conforme a delegada Milena de Fátima Rosa, o perito considerou que o bebê sofreu violência não apenas no momento da morte, mas em situações anteriores.

O padrasto foi conduzido ao Presídio Regional de Jaraguá do Sul onde permanece à disposição da Justiça.

Violência anterior à morte
Vários vizinhos testemunharam à polícia que a criança chorava muito durante a noite e uma testemunha afirmou ter presenciado o padrasto sacudindo o bebê na tarde do dia em que ele morreu.

“Os exames comprovaram a síndrome da criança sacudida. Então, ele foi sacudido várias vezes, o que levou a este traumatismo craniano. Uma testemunha falou que na tarde do dia em que a criança morreu viu o padrasto sacudi-la para que parasse de chorar. Então, a gente entendeu que ele é suspeito de praticar homicídio contra o bebê”, afirmou a delegada.

Tentativa de socorro
Conforme a Polícia Civil, o bebê teve uma parada cardiorrespiratória em 5 de maio e um dos médicos que atendeu a criança contou à delegada que o bebê passou por duas reanimações. Uma por cerca de uma hora de atendimento, ainda na ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e outra de cerca de meia hora no Hospital.

“Ela teve a segunda parada cardíaca enquanto passava por um procedimento de raio-X. Os pais falaram que ela teria caído, mas não havia fraturas. Ela foi encaminhada às pressas para a UTI, mas não resistiu por muito mais tempo”, conta a delegada.

Outras pessoas ouvidas
De acordo com a delegada, foram ouvidas a irmã do garoto, de 4 anos, e o filho do padrasto, de 9 anos, que estavam na casa da família quando o bebê morreu, além de outras duas testemunhas e a conselheira tutelar.

O teor dos depoimentos permanecerá em sigilo, informou a delegada. Entretanto, ela disse que o Conselho Tutelar não havia recebido denúncias anteriormente contra o casal que cuidava do bebê.

O caso
No dia da morte do bebê, padrasto e a mãe da criança informaram à Polícia Militar que o menino caiu de uma cama de cerca de 1 metro de altura. Eles chegaram a ser detidos, mas foram liberados na manhã do dia 6 de maio, informou a Polícia Civil à RBS TV.

“Uma pessoa garantiu à Polícia Militar que viu o padrasto dando um empurrão muito forte no bebê. Além disso, vamos ouvir uma vizinha que chamou a PM, ao ver o Samu se aproximar da casa da família, e que suspeita de maus-tratos. Temos que ouvir as pessoas e investigar, ainda é muito cedo para afirmar qualquer coisa”, ponderou a delegada.

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