Após tortura e abusos, criança ficou trancada em quarto por pelo menos dois dias até ser resgatada

Caroline Apple, do R7

Imagens do corpo da vítimaArquivo pessoal

Cleivani Marques Melo, conhecida como Loira, andava pelas ruas de Santana de Parnaíba (Grande SP) colando adesivos de sua campanha eleitoral para vereadora e visitando possíveis eleitores. Cleivani contou ao R7 que, em meio a esses encontros, é comum receber pedidos de favores por parte dos munícipes, mas ela não estava preparada para atender a uma solicitação que aparentava ser simples, mas se tornou um pesadelo ao dar de cara com uma criança de dez anos cheia de roxos pelo corpo e totalmente debilitada.

Loira passava pela rua do Lucro, 176, na última terça-feira (9), quando uma mulher a chamou amigavelmente na porta de casa, perguntando se ela seria candidata novamente.

— Eu me aproximei e disse que sim [que era pré-candidata]. Logo ela me perguntou se eu poderia ajudá-la, porque a filha mais nova tinha caído e estava fraca, apesar dela ter dado um macarrão instantâneo e uma água de coco para ela. Eu disse que ajudaria e então ela me convidou para entrar.

Cleivani conta que a mulher, identificada como Ilda, mãe da vítima, pegou uma chave e a levou em um quarto escuro, que não tinha acesso à casa. No local, Cleivani encontrou uma garota deitada e, com dificuldade, conseguiu tirá-la da cama. Foi quando levantou a blusa da criança que notou uma série de hematomas, que não condiziam com a história contada pela mãe.

— Na hora eu disse que aquilo não era tombo. Ela [a mãe] e uma das irmãs tentavam me convencer e eu só pensava que para ela ter ficado daquela maneira teria que ter caído em um buraco muito fundo. Eu sabia que tinha algo errado. A menina só dizia, com a voz fraca, que não podia ir para um lugar que tinha muita gente. Ela estava há dois dias lá trancada.

Segundo Loira, a mãe então orientou a filha a ir chamar o namorado da outra irmã, a Thábata, que logo estava na casa, fitando a testemunha de forma ameaçadora.

— Eu tinha que tirar aquela menina de dentro daquela casa, eu sabia que aquele rapaz tinha feito mal a ela. Foi então que decidi entrar na história da mãe e comecei a dizer que era normal crianças caírem e que ajudaria a levá-la ao hospital, onde ela seria medicada e voltaria para casa. Ele acreditou e ainda debochou da garota, dizendo que ela só tomaria um remedinho.

Com a criança e a mãe dentro do carro, Cleiviani começou a insistir para que a verdade fosse dita.

— Eu sabia que era caso de cadeia. A garota foi calada até o hospital. Quando chegamos, o telefone da mãe dela tocou e logo ela foi para o meio da rua atender e nos deixou lá. Eu peguei a cadeira de rodas e dei entrada com ela no hospital. Juntei os médicos e contei tudo o que aconteceu. O hospital chamou a polícia e o conselho tutelar. Fui embora, mas com toda aquela cena na cabeça. Estou com guia para passar no psicólogo. Como pode uma mãe se comportar daquela maneira? E pensar que aquele dia estava tão alegre.

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