‘Não sabia o que fazia’, diz jovem que desmentiu estupro; padrasto foi preso

Do G1 BA

“Estou mutio arrependida, não sabia o que estava fazendo. Eu era muito nova e não sabia que teria essas consequências”. Esse é o relato de Lanara de Jesus Nunes, atualmente com 18 anos, mas que aos 11 anos acusou o padrasto Edmilson Gonçalves dos Santos, de 45 anos, de estupro em Salvador. Cinco anos após a denúncia, ela desmentiu a própria acusação, alegando que foi coagida pelo pai bilógico a mentir.

Edmilson Gonçalves foi denunciado pelo crime de estupro em 2009 e condenado a dez anos de prisão somente em maio deste ano. Ele cumpre pena na Penitenciária Lemos Brito (PLB), no bairro da Mata Escura. Na quarta-feira, a promotora da 2ª Vara de Crimes contra Crianças e Adolescentes, Eliana Elena Bloizi, informou que no dia 16 de agosto deste ano, em uma audiência de justificação criminal, a suposta vítima do estupro voltou atrás das denúncias e disse que mentiu sobre as acusações de abuso sexual.

Lanara mora atualmente com a mãe e a irmã mais nova, de 8 anos. Ela conta que foi orientada pelo pai biológico a mentir para que conseguisse separar a mãe do padrasto. “Ele queria que minha mãe voltasse para ele e eu não tinha noção das coisas direito. Aí ele apertou a minha mente e me levou para delegacia”, relata. O G1 não conseguiu contato com o pai biológico da jovem para comentar o assunto.

A mãe da jovem, Dilma Santana de Jesus, de 36 anos, continua casada com o acusado e afirma que nunca acreditou na história contada pela filha. “Quando eu me separei do pai biológico dela, ela tinha 10 anos. Ela morava comigo, mas todo final de semana estava com o pai. Depois de um ano e pouco que eu estava morando com Edmilson, ela veio com a história de estupro. [O pai biológico] ficava só botando ‘minhoca’ na cabeça dela e ela gostava porque tinha benefícios, ficava solta. O pai nunca soube dizer não a ela”.

“Eu tinha certeza que ele não fazia isso porque ele sempre foi aberto para todos, dedicado. Eu nunca acreditei. Desde o início ela estava mentindo. No início eu fiquei me perguntando porque minha filha fazia isso comigo, mas depois fui entender que ela não sabia o que estava fazendo”, completa a mãe.

Segundo Lanara, ela decidiu voltar atrás da denúncia assim que o padrato foi preso e “percebeu o que tinha feito”. “Eu fui procurar minha mãe e contar a verdade. Minha relação com ele [Edmilson] sempre foi boa. Meu pai é ele”, acrescenta a adolescente.

Edmilson é mecânico e durante o cumprimento da pena trabalha na área externa da Penitenciária Lemos Brito. Segundo Dilma Santana, mesmo com as denúncias, ele sempre manteve bom relacionamento com a família. “Ele ficou muito triste, muito apreensivo o tempo todo, trabalhando honestamente, sabendo que a qualquer momento correria o risco de ser preso. Mas ele nunca ficou com raiva. Muito pelo contrário”, garante.

“Ele sempre tratou as minhas filhas como se fossem dele. Sempre foi um pai presente, um amigo para tudo. Tem convivência ótima. A relação dele com elas é sem problema nenhum. As duas são loucas por ele, tanto a mais velha quanto a caçula”, garante a mãe.

Processo
O advogado de defesa do padastro, Revardiêre Rodrigues Assunção, conta que deverá entrar com uma ação de revisão criminal na próxima semana. “Essa ação é o meio para desconstituir a sentença condenatória dele. Ela vai tramitar na segunda instância, que será julgada pelos desembargadores porque eles fazem parte da Justiça de segundo grau”, explica.

No entanto, promotora Eliana Elena Bloizi disse ao G1 na quarta-feira que acredita que a versão da jovem teve “pouca consistência e alguns fatos são absurdos”, relatou. Um dos pontos considerados absurdos por ela está no fato de que, no novo depoimento, a jovem disse que tomava anticoncepcionais aos 11 anos de idade por conta própria. Na primeira versão do depoimento, em 2009, ela disse que tomava anticoncepcionais obrigada pelo padrasto – sob a falsa orientação de que seriam vitaminas -, para que não engravidasse durante os abusos sexuais.

No período das denúncias, a promotora detalha que um laudo médico atestou que a vítima não era mais virgem aos 11 anos. No novo depoimento, Eliana Elena Bloizi detalha que a jovem contou que realmente não era mais virgem com aquela idade, mas que teve a primeira relação sexual com outra pessoa e não com o padrasto. Ela disse em depoimento não lembrar com quem teve a primeira relação sexual, informou a promotora.

“Não é só a palavra da vítima que é levada em consideração. Nós não sabemos qual fato motivou a voltar atrás”, disse Eliana Elena Bloizi na ocasião.

De acordo com o advogado de defesa do padastro, Revardiêre Rodrigues Assunção, a jovem foi ouvida por uma junta de psicólogos antes da audiência de justificação criminal. “É normal a promotora ter comportamento cético, mas hoje a gente tem outra visão. A visão que hoje surge é de que houve um fato novo, onde a vítima teve total autonomia para declarar que nada daquilo houve. O crime de estupro é ‘clandestino’, ou seja, só tem a vítima e o acusado, e no processo ninguém viu, ninguém presenciou. A promotora está de um lado. A gente vai ampliar esse fato novo, trazendo a Justiça”, garante.

Caso a nova versão da adolescente seja confirmada, o pai da jovem, que teria induzido à falsa denúncia, pode responder à Justiça por denunciação caluniosa, que consiste no fato de atribuir um crime a uma pessoa inocente. Além do pai, a própria adolescente responsável também deve responder pela denúncia, só que junto ao Juizado da Infância e Adolescente, já que na época em que o caso começou a ser investigado a menina ainda era menor de idade.

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