Polícia investiga maus tratos à criança de três anos que vivia em prédio de Copacabana usado como boca de fumo

RIO – O pintor Roberto Assis Ferreira preso na terça-feira por policiais da 12ª DP (Hilário de Gouveia), com mais duas pessoas, acusados de transformar o apartamento de um diplomata em Copacabana em estica (boca de fumo) do tráfico de drogas do morro Pavão-Pavãozinho, vai responder também por maus tratos e abandono de incapaz. Roberto Estrela, como é conhecido, é pai de uma menina de três anos que vivia com ele e outros oito homens no imóvel de 120 metros quadrados, que foi transformado em cabeça de porco por Maria Cristina da Silva Cavalcante, também presa acusada de ceder o espaço para o tráfico de drogas. Segundo depoimentos de moradores do prédio, do próprio pai e de outros locatários que alugavam as vagas sublocadas por Maria Cristina, a menina sofreu abuso sexual com um ano e meio de idade. Segundo a delegada Isabela Santoni, titular da 12ªDP, a perícia não comprovou o abuso, mas identificou na criança sinais de maus tratos:

— A mãe tem problemas psiquiátricos e também não demonstra condições de cuidar sozinha da filha. Ela registrou queixa há pouco tempo informando primeiro que o próprio pai teria praticado abuso sexual contra a menina quando ela tinha apenas 1 ano e meio de idade, mas depois disse que o autor era um dos locatários do imóvel, que ela conhecia como sendo namorado de Maria Cristina. O próprio pai, Robeto Estrela, confirmou que houve a violência e disse que não tinha registrado queixa porque pretendia matar o suspeito, identificado como Carlos Alberto, que teria fugido — explicou a delegada.

Isabela Santoni decidiu indiciar os pais da criança pelo crime de maus tratos e abandono de incapaz:

— É cruel a situação em que essa criança vivia. O pai saía para trabalhar e deixava a menina sob os cuidados de Cristina, que claramente não cuidava dela e sob um teto com outros oito homens. Ela vivia em uma casa suja, cheia de gatos elétricos, com velas de oferendas acesas em móveis, oferecendo inclusive risco de incêndio, onde acontecia uso e tráfico de drogas. Os peritos identificaram que a criança sofria de maus tratos.

A menina foi encaminhada ainda na noite de terça-feira para o Conselho Tutelar que irá examinar o caso.

Como o GLOBO revelou na edição desta quarta-feira, Roberto, Maria Cristina e Adolf Muller Pereira Lopes, ex-presidiário condenado por tráfico foram presos após investigação da 12ª DP que revelou o funcionamento de uma boca de fumo em um dos arpartamentos de um prédio de classe média da Rua Paula Freitas, no quarteirão da Avenida Atlântica, avaliado em R$ 1,8 milhão. A droga era levada por Adolf que mora no Morro do Pavão Pavãozinho para Roberto Estrela revendê-la no prédio. Os dois foram presos ainda na madrugada de terça, com um carregametno de ácido. Maria Cristina foi presa, no apartamento no final da tarde do mesmo dia.

Ontem, moradores comemoraram a prisão de Maria Cristina, Roberto Estrela e de Adolf Muller Pereira Lopes, ex-presidiário condenado por tráfico e por assalto, que era responsável por trazer a droga do Pavão Pavãozinho para Roberto Estrela revender no prédio. Reclamações, registradas em atas do condomínio demonstram que o esquema acontecia há pelo menos quatro anos:

“Sra. Síndica, peço que tome providências em relação ao apartamento 302, pois está muito perigoso. Fui surpreendido na portaria por um elemento não identificado que estava totalmente drogado, bêbado, etc. Tive que por as mãos na pessoa para colocar para fora do edifício, porque havia moradores querendo entrar, mas com medo do rapaz”, afirma a queixa, datada de 8 de maio de 2010.

Em outra queixa, o morador informa que encontrou na garagem do prédio, preservativos, um saquinho plástico rasgado com resto de droga, guimbas de maconha e uma garrafa de cerveja quebrada:

“Fiquei chocado ao ver. Devido este ser um prédio de família, é muito vergonhoso para nós moradores ter que conviver com este tipo de pessoas”, registrou na ata.

“Solicito providências quanto a alta rotatividade no apartamento 302, pois não se sabem quem é quem ou o que. Situações constrangedoras têm sido vividas pelos moradores ao se depararem com pessoas de aspecto duvidoso, bêbados e possivelmente drogados. Inúmeras vezes a polícia (militar) esteve no prédio em função das badernas havidas no referido apartamento. Não poucas foram as vezes em que não consegui dormir à noite, tendo que acordar cedo para trabalhar”, registrou outro morador.

O apartamento pertence ao diplomata aposentado José Carlos Cavalcanti Linhares. A família luta desde 2009 na Justiça para reaver o imóvel onde morou o filho José Linhares Junior, que morreu em 2008, vítima de hepatite por uso abusivo de drogas. Segundo a família, ele sequer era casado ou vivia em união estável com Maria Cristina, mas depois de sua morte, ela se recusou a deixar o local:

— É tão absurda a situação que estamos vivendo que é até difícil comentar. Já provamos que essa mulher não tem nenhuma ligação com meu irmão. Eu não conheço nem ela e nem esse Roberto Estrela, mas por medo não vou aquele prédio nem mesmo para visitar minha filha que vive em outro apartamento. Ficamos chocados de saber o que acontecia no local. Vou conversar com o advogado para ver se agora conseguimos acelerar esse processo, os dois estão presos e pelo risco inclusive de incêndio no local. A delegada está de parabéns.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/policia-investiga-maus-tratos-crianca-de-tres-anos-que-vivia-em-predio-de-copacabana-usado-como-boca-de-fumo-12347152.html#ixzz3BcFOaGrL

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