Vítima de estupro relembra: ‘Nos tratava como a filha e o neto dele’

Um homem de 54 anos foi identificado por três vítimas de estupro em São Vicente, no litoral de São Paulo. O suspeito foi levado para a Delegacia da Mulher da cidade, que acompanha os casos. A delegada Samanta Rihbani Conti pediu para a Justiça a prisão temporária para mantê-lo detido, mas o pedido não foi apreciado e o suspeito foi posto em liberdade nesta quinta-feira (25).

Segundo a delegada, o homem agia da mesma forma com todas as vítimas que abordava. Uma dessas mulheres, moradora de São Vicente, passou por esse drama há cerca de dois, mas ainda guarda na memória os momentos de terror e tortura psicológica que viveu ao ser coagida a praticar sexo oral e mandar a filha, na época com seis anos, fazer o mesmo com o agressor. O abuso aconteceu após ser abordada com uma arma às 22h30 de uma noite de novembro de 2011.

A mulher, que não quer ser identificada, voltava com a filha do aniversário do filho, na casa da avó da criança. Quando chegava perto da Rodovia Imigrantes, na esquina com a Rua Mascarenhas de Moraes, um homem em um carro preto parou pedindo informações. “Ele parou e perguntou onde ficava uma rua. Quando me aproximei, ele mostrou algo que parecia uma arma e disse para eu entrar no carro sem dar muito alarde. Dali, ele nos levou para o bairro Cidade Náutica, perto de um forró que tem por lá”, lembra.

No local, o homem, identificado pela vítima como sendo o suspeito posto em liberdade, a obrigou a entrar e sair do carro, enquanto abusava da filha. “O que mais me dói é que ele mandava minha filha fazer coisas com ele, mas ela não queria e ele me mandava dizer para ela fazer”, explica.

Algumas vítimas de estupro disseram que o homem as obrigava a rezar. “Ele disse que precisava passar comigo por sete encruzilhadas e me fazia rezar. Ele puxou umas cartas de tarô e disse que meu marido ia sofrer um acidente fatal no trabalho”, diz.

Filmes eróticos e cartas de tarô foram encontrados com o suspeito (Foto: Silvio Muniz/G1)Filmes eróticos e cartas de tarô foram encontrados  com o suspeito (Foto: Silvio Muniz/G1)

Para a mulher, o fim do medo havia acabado com a prisão do suspeito. “Estou tentando voltar à minha rotina. Ontem achei que poderia viver normalmente, mas não. Nesses quase dois anos que passaram, não teve um dia em que eu não ficava procurando por ele. Tudo era motivo para lembrar e achar que ele iria aparecer. Eu tinha certeza de que o veria na minha frente e que ele ficaria preso, sempre que via um carro parecido, mas isso não aconteceu”, lembra.

Depois do trauma, a mulher conta que passou a ter fobia social e depressão, além de ter que tomar medicamentos. “Tomo remédios até hoje, faço acompanhamento psiquiátrico, tive que me afastar do serviço porque não tinha condições de trabalhar. Onde eu entrava e tinha muita gente, eu pensava que iria vê-lo, me dava crise de choro e eu tinha que sair. Até agora eu estou à base de remédio, antidepressivo”, conta.

A mãe e a família da criança que foi vítima de abuso aos seis anos tentaram apagar as lembranças daquele dia, mas após ver o suspeito na televisão, o reconheceram imediatamente. “A gente não disse nada sobre ele ter sido preso e nem comentava nada perto dela, para não criar trauma, mas assim que ela o viu na televisão, disse: ‘Olha ele mãe’. Aí, tive que explicar que ele foi preso e ela me disse: ‘Quer dizer que ele não vai mais fazer mal para ninguém?'”, relata.

Carro do suspeito, reconhecido por vítimas de abuso sexual (Foto: Silvio Muniz/G1)Carro do suspeito, reconhecido por vítimas de  abuso sexual (Foto: Silvio Muniz/G1)

As vítimas lembram do temperamento do estuprador. Além de suar muito, o homem falava coisas desconexas, gritando frases como ‘sai pomba-gira’, tirando cartas de tarô e querendo estabelecer vínculos de amizade. “Ele dizia que eu tinha ganhado um amigo e perguntava se podia confiar em mim, eu dizia que sim”, diz.

As palavras do estuprador são lembradas pela vítima até hoje. “Ele falou que eu tinha alguma coisa, porque ele não conseguia me fazer mal e ele não era assim. Acho que ele poderia nos ter feito mais mal. Uma das coisas que não me esqueço é dele falando que estava nos tratando como tratava a filha e o neto dele. Depois, ele perguntou onde eu morava e me deixou perto de casa. Antes de sair, disse: ‘Você quer me ferrar?’, e foi embora”, lembra.

Por conta da liberação do suspeito, a mulher voltou a tomar remédios para dormir. “Ele foi reconhecido por três pessoas, mulheres e crianças, e a juíza tem que analisar o caso ainda? Me indigna demais, porque não foi com ela. Só a gente sabe o que passou, o que viveu”, conclui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: