Criança é torturada pela mãe e padrasto

Um menino de oito anos que estava sendo mantido preso pelos pés a uma corrente dentro da casa dos próprios pais foi resgatado, na última quarta-feira, pela psicóloga Miki Okada e a assistente social Nárita Sarubi. A criança era submetida todos os dias a torturas dentro de casa, pela mãe e pelo padrasto.

A psicóloga e a assistente social atuam no Cras – Centro de Referência de Assistência Social de Oriximiná. Miki e Nárita verificaram a situação a partir de denúncias dos próprios vizinhos.

Ao adentrar, se depararam com uma cena revoltante: a criança escorada na parede, totalmente sem ação, amedrontada, com vários hematomas no corpo, ferimento na cabeça e os pés inchados. Ao ser indagada sobre a situação do menino, a mãe disse que ele estava com gripe, assim como outras duas crianças.

Imediatamente o menino foi levado ao posto de saúde do bairro, mas ao ser examinado pelo pediatra Sidney Barbosa, foi encaminhado ao Hospital Municipal para internação. A enfermeira Juciana Andrade ficou perplexa diante das marcas da brutalidade no corpo da criança e disse que o menino estava faminto e com muito sono.

A diretora do Hospital Municipal, Annete Chalita, acionou o Conselho Tutelar somente na manhã do dia seguinte. Ao tomar ciência da situação, a conselheira Anita Valente foi até a residência do casal agressor e o intimou a prestar esclarecimento no Conselho. Eles só compareceram na manhã de sexta-feira.

Anita disse que a mãe assumiu toda a responsabilidade pelas torturas ao filho e que o padrasto não sabia de nada. Ela disse ainda que o menino estava sendo criado por uma tia no interior, mas que o devolveu a ela em setembro. Questionada se desde a chegada dele começaram os maus-tratos, ela respondeu que ele era muito malcriado e que o prendia à corrente numa das pernas da cama, como castigo.

Segundo a conselheira, em nenhum momento do depoimento de cerca de quarenta minutos, a mãe demonstrou arrependimento. “Ela apenas admitiu que o pai sabia, mas que não batia no garoto”.

O Conselho Tutelar encaminhou o caso à polícia, mas como já havia passado o tempo hábil para o flagrante, a delegada Andreza Souza não pôde prendê-los. A reportagem acompanhou a delegada até o hospital onde ela solicitou que fosse feito o exame de corpo de delito. “Nunca me deparei com uma situação dessas. É monstruoso. É um absurdo”, disse a delegada.

A criança relatou que sempre apanhou da mãe e que ela usava uma tábua para bater na cabeça dele. Ele disse que quando a psicóloga chegou à casa, a mãe tirou as correntes que o prendiam na cama. E continuou a relatar as torturas, dizendo que ficava acorrentado em pé e não podia dormir.

O menino também disse que o padrasto cozinhava ovo de galinha e o torturava encostando o ovo quente no peito dele. “Eles me batiam muito e não davam comida”.

A delegada instaurou inquérito e já começou a ouvir todas as pessoas envolvidas, inclusive os pais, que espera colocar atrás das grades. “Eles serão enquadrados por torturarem o filho. Diante do relato dele, é uma situação degradante a que era submetido”.

Para a psicóloga Miki Okada, prender os envolvidos não vai resolver o problema da família, porque há mais cinco crianças morando com eles. “Quem vai cuidar dessas crianças?” Ela diz ainda que é necessário que se faça um acompanhamento à família para resolver essa situação complicada que se encontra. “Eles têm um sério problema, sim, e precisam de ajuda”. O casal se recusou a falar com a reportagem. (Diário do Pará)

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