ROMPA O SILÊNCIO!

No primeiro quadrimestre de 2013, Caxias do Sul registrou aumento de 22,2% nos casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes. O percentual vai na contramão do Estado, que apresentou redução de 12,5%

Caxias do Sul – Todos os anos, dezenas de crianças e adolescentes têm sua alegria de viver, sonhos e inocência roubados na cidade. Os usurpadores, em grande maioria, são parentes próximos, vizinhos e até mesmo religiosos que, de forma dissimulada, os induzem ao sexo. Ao mesmo tempo em que se aproveitam desses menores, os abusadores os jogam para um cotidiano de silêncio, agressividade e distúrbios diversos, formas pelas quais um corpo ainda em desenvolvimento expressa seu pedido de socorro. Nos últimos 10 anos, 2.876 crianças e adolescentes foram encaminhados para tratamento psicológico na rede pública municipal na tentativa de superar o trauma.

– Mais do que danos físicos, como doenças sexualmente transmissíveis, lesões e infecções, essas crianças têm uma perda enorme na autoestima. São poucas as vítimas com a felicidade de contar com uma família bem estruturada, que lhe proporcione a superação. Para a maioria, o tratamento demanda meses. Isso quando não permanecem anos ou até mesmo a vida inteira em silêncio – pontua a psicóloga Janet Marize Vivan, do Ambulatório Municipal de Atenção à Criança e ao Adolescente Vítima de Maus-Tratos.

No ano passado, 101 ocorrências de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registradas em Caxias. O número é 11% menor do que no ano anterior, quando houve 114 casos, uma média de nove mensais. Apenas no primeiro quadrimestre de 2013, oficialmente, 45 crianças e adolescentes foram violentados – média de 11 casos a cada mês –, um aumento de 22,2%.

A média de Caxias vai na contramão do Estado, que registrou cerca de 12,5% de queda. Os inquéritos instaurados pela Polícia Civil baixaram de 1.384 casos no primeiro quadrimestre de 2012 para 1.211, no mesmo período deste ano.

Para combater esse crime, Estados e municípios contam com as Delegacias Especializadas em Crianças e Adolescentes e com Conselhos Tutelares. No dia 10 deste mês, uma operação visitou oito bares e casas noturnas caxienses. Apesar de não ter encontrado indícios de exploração infantil, a ação é valorizada.

– Blitze como essa demonstram aos donos desses estabelecimentos que estamos de olho. Temos conhecimento de que alguns têm mudado a forma de lucrar com os menores. Em vez de colocá-los sobre um palco ou circularem pelas casas, agora ficam em apartamentos à espera dos clientes. Mas, uma hora ou outra, também são descobertos – avalia a titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Suely Rech.

Conforme a delegada, as denúncias da população são fundamentais para que esse novo formato de atuação dos exploradores seja banido. Por não contar com pontos fixos de prostituição, as investigações são prejudicadas, acredita Suely:

– Adolescentes desse meio, quando crescem e deixam de ser contratados, buscam sustento nas ruas.

Diferentemente do que pensa a maioria das pessoas, o abuso não se caracteriza apenas por relação sexual completa. Tocar a boca, órgãos genitais, nádegas, seios ou outras partes íntimas com objetivo de satisfação dos desejos também é abusar. Assim como expor a criança ao ato sexual ou a exibições com o propósito de estimulação ou gratificação.

roger.ruffato@pioneiro.com

RÓGER RUFFATO

 
 
Lei
De acordo com o artigo 217-A do Código Penal, é crime “ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos”. A pena é de oito a 15 anos de reclusão.
 
Comparação dos primeiros quatro meses deste ano com o mesmo período de 2012:
– 12,5% é a queda no número de crimes sexuais contra crianças e adolescentes, tendo passado de 1.384 casos em 2012 para 1.211 neste ano.
– 12,1% é a redução nos casos de estupro. É o crime mais cometido contra crianças e adolescentes no Estado, com 903 ocorrências (74,5% dos crimes).
– 400% é o aumento nos casos de condutas relacionadas à pedofilia na internet e outros meios de comunicação: de um registro para cinco, neste ano.
33% é o crescimento nos crimes de exploração sexual infanto-juvenil
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